Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘pensamentos madrugadas devaneios vida’

Não se pergunte por que as pessoas enlouquecem. Se pergunte por que não enlouquecem. Diante do que podemos perder num dia, num instante, se pergunte que diabos é isso que nos faz manter a razãoGrey’s Anatomy –  4.15 “Losing My Mind”

Sabe aquele momento em que você para por um instante e pensa que esse não era o lugar em que você queria estar? Que essa não era a vida que você queria para você e que essa rotina massante atinge tanto o seu corpo que a vontade que você tem é de passar o dia inteiro dormindo? Suas costas doem por causa do peso que você carrega. E olhe que sua bolsa é leve. O que será, então? As pessoas costumam chamar isso de somatização, ou seja, quando o seu corpo responde a algo que não é da ordem do corpóreo. Eu prefiro dizer que o que dói, na verdade, não são as costas, mas o imperativo “tenho que”. Daí você olha para o lado e vê que o outro está sofrendo também. É a mesma dor? Não ousaria medir ou comparar, de fato. Mas quando ele começa a elencar os mesmos motivos, falar das mesmas aflições e lamentar as mesmas impotências, um comum se fez presente. Poderíamos dizer que tal pessoa apresenta os mesmos sintomas que você numa linguagem “diagnosticante” e que, por isso, vocês sofrem do mesmo mal. Não se sofre mais sozinho. Não se está mais sozinho. Quando se tem tanta gente sofrendo nesse mundo, é quase egoísmo sofrer sozinho…

Isso não significa dizer que você não sofre só porque o outro compartilha com você a mesma dor, mas sim que se sofre em conjunto porque existem uma série de exigências sociais que fazem com que você seja como é. Talvez você sofra quando o seu corpo não suporta a demanda. Que sociedade é essa que faz com que soframos tanto? Que sociedade é essa que nos faz nos sentirmos culpados por estar fazendo a coisa certa? Longe de qualquer ar de militância que este texto possa estar tomando, questiona-se o fato dos corpos serem disciplinados de forma tal que por mais fortes que sejam forjados a ser, não aguentam a pressão e adoecem. O sono intermitente, a vontade de não continuar o que se pretendia e a necessidade quase constante de que alguém diga que as coisas irão dar certo, um dia. Você não confia mais em si mesmo por ter se colocado nessa posição e procura alguém que, para além de um abraço, diga que talvez essa “crise” seja só uma fase. Será que poderíamos pensar em um chefão que precisamos derrotar, resgatar a princesa e finalmente passar de fase? Nunca fui muito boa em video-games.

Estamos velhos e cansados aos 20 anos. Não somos corajosos o suficiente para desistir porque outras pessoas dependem da nossa continuidade nessa vida embotadora de desejos. A paixão inicial foi minando aos poucos e não sentimos mais a mesma alegria por estar realizando determinado trabalho. E temos reflexos nos nossos corpos: olheiras, varizes, marcas de expressão e um olhar triste, carregado dessa angústia. Esperniamos, gritamos, choramos – talvez nem esperemos mais que alguém ouça nossa voz silenciada – mas o corpo responde assim. A vontade de viver, a potência de produzir novos mundos se esvai em meio a corpos impotentes. Vivemos no entre o saber que precisamos fazer algo para modificar o estado atual das coisas e o fato de que nossos corpos, cansados, não são mais tão desejantes quanto outrora.

Carmem

Read Full Post »